Nascido em 1938, em plena Guerra Civil, em Sanaüja, uma aldeia na província de Lleida, Joan Margarit incorporou esse conflito na sua obra, que iniciou no final da década de 1950, então ainda em castelhano. Casa da Misericórdia é um exemplo marcante, com as suas referências às crianças orfãs, acolhidas pela instituição de que o livro toma o nome, aos abrigos, as fugas. Morte, separação, velhice, solidão, temas inelutáveis, a que a sua poesia não se furta.
Joan Margarit é uma das grandes figuras da poesia catalã contemporânea e viu, em 2008, ser-lhe conferido pelo Ministério da Cultura de Espanha o Prémio Nacional de Poesia, precisamente por Casa da Misericórdia, honra atribuída à obra de poesia que mais se destaca em qualquer uma das línguas oficiais do país. Foi também distinguido com o Prémio Nacional de Cultura, na área da literatura, pela Generalitat de Catalunya, Prémio Cavall Verd, Prémio da Crítica Catalã e com o Prémio Rosalía de Castro.
Escrevendo indistintamente em ambas as línguas, é o próprio Margarit quem tem traduzido a sua poesia do catalão para o castelhano, facto tanto mais relevante quanto os seus textos recolhem amplo reconhecimento. Não obstante, o poeta afirma que a primeira noção que tem do poema não é apenas verbal, e que nem sempre uma ou várias línguas são suficientes para conseguir entrar no lugar onde o poema aguarda.
Avesso a correntes e acreditando profundamente na capacidade da poesia, que ele considera pragmática, para resistir à inclemência do quotidiano, Margarit é um dos raros poetas que podem orgulhar-se de os seus livros figurarem entre os mais vendidos na Catalunha, e de estarem traduzidos em várias línguas. Para além do catalão e do castelhano, a sua poesia pode ser lida em inglês, russo, alemão, hebreu e português.
Por seu turno, como tradutor verteu para o castelhano obras de Elisabeth Bishop, Anna Crowe, Thomas Hardy, Miquel Martí i Pol e Gabriel Ferrater.
Para lá das letras, Joan Margarit trabalhou grande parte da sua vida como arquitecto, disciplina em que se formou, tendo ainda ocupado a cátedra de Cálculo de Estruturas na Escola Técnica Superior de Arquitectura de Barcelona, em 1968. Participou em inúmeros projectos em várias áreas, de que se destaca a colaboração na remodelação do complexo de Montjuïc e do Estádio Olímpico, por ocasião dos Jogos Olímpicos de 1992 que decorreram em Barcelona e a sua participação nas obras da Sagrada Família.
